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Escrito por Manoel Rodrigues às 08h34
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Faltou pergunta ou resposta
Hobsbawm está na Folha de hoje, em reportagem e entrevista que não dizem quase nada. A ideia, porém, era dizer alguma coisa sobre: a) o ofício do historiador; b) as diferenças entre o século 19 e o 20; c) o significado da queda do muro de Berlim; d) o significado da atual crise econômica; e) o lugar da utopia no mundo de hoje; f) as relações entre a América Latina, sobretudo o Brasil, e os Estados Unidos. Mal produzida a matéria, mal conduzido o diálogo, os textos ficaram excessivamente vagos. Teria sido útil aprofundar o último tema mencionado acima. Por exemplo, por que o historiador inglês acha que a época da subserviência latino-americana aos EUA acabou? Ele próprio, porém, cita o México, como "apêndice" do gigante do norte; poderia ter citado a Colômbia. Poderia ter comentado a postura venezuelana e explicitado se a considera positiva ou não. E a boliviana e a equatorenha. Poderia ter falado sobre o Chile. Poderia ter avaliado se o fato de a América Latina se manter como uma região socioeconomicamente atrasada tem perspectivas de se reverter nas próximas décadas, a exemplo do que vem ocorrendo no Leste da Ásia. Mas os dois textos têm no máximo estocadas inexpressivas. Talvez a culpa não tenha sido do jornalista; talvez o célebre historiador não tenha mais muito a dizer, em virtude de seu apego a velhas ideias. Sinceramente, não dá pra saber.
Escrito por Manoel Rodrigues às 05h02
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Escrito por Manoel Rodrigues às 09h50
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Fome de tudo
A Folha publica, nesta segunda, reportagem sobre a morte, anteontem, do agrônomo Norman Borlaug, responsável por modificações de espécies de milho e trigo e desenvolvimento de fertilizantes que mais que dobraram a produtividade agrícola em muitos países. A contribuição de Borlaug se insere naquilo que, há cerca de 40 anos foi batizado como "Revolução Verde". Hoje, "verde" designa em certa medida o oposto e, de herói, Borlaug passou, pelo menos na visão de muitos ambientalistas, a vilão. Esse é mais um caso em que a adoção de posições extremadas diante dos problemas se revela nova fonte de problemas. Borlaug agiu em consonância com o pensamento hegemônico à época, diante da necessidade de ampliação da oferta de alimentos no mundo. O impacto negativo da ação humana sobre o meio ambiente se tornou mais e mais significativo desde então, ao que correspondeu o crescimento da consciência ambiental. Como parte de sua contribuição se revelou ambientalmente incorreta, Borlaug deve ser, ao mesmo tempo, celebrado e aperfeiçoado. O extremismo no trato da questão é o que se verifica hoje no Brasil no ódio que põe em campos opostos boa parte dos ambientalistas e dos produtores rurais. É o mesmo extremismo que transforma em inimigos os ministros da Agricultura e do Meio Ambiente. Ao mal do extremismo se soma um outro: o especificismo. Como se as pessoas precisassem apenas de produção agrícola; como se as pessoas precisassem apenas de gestão ambiental. Extremismo e especificismo têm um nome: desequilíbrio.
Escrito por Manoel Rodrigues às 08h59
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É verdade mas é mentira O Brasil valoriza pouco a educação. Esse batidíssimo enunciado, além de uma verdade óbvia, é também um exagero. Porque o Brasil não valoriza tão pouco assim a educação. E o fato de se exagerar que o Brasil valoriza pouco a educação contrbui para que o Brasil valorize menos a educação. Quem estuda mais, no Brasil, mesmo que mal e parcamente, mesmo que em más escolas, com maus professores, de um modo geral ganha mais e é mais empregável do que quem estuda menos. Muitas pessoas estudam menos porque têm que ganhar o pão HOJE e falta tempo para conciliar estudo e trabalho. Muitas pessoas estudam menos também porque, em épocas de certo crescimento econômico, como o que experimentamos em 2006, 2007 e 2008, mesmo que elas não estejam tão necessitadas de dinheiro, tende a haver opções ao menos razoáveis de emprego e renda, e as pessoas tendem, na sua maioria, a optar pelo emprego e pela renda em detrimento do estudo. Porém, há o caso de muitas pessoas que simplesmente param de estudar porque creem que no Brasil mais estudo não traz bons retornos, em termos de emprego e renda. O que é um engano. De onde vem esse engano? 1) Do valor e da eficácia relativa do nepotismo, do compadrio, da corrupção, das fraudes, no nosso país. 2) Do baixo salário dos professores, "prova" autoevidente de que estudar é perda de tempo. Há zilhões de iniciativas a serem tomadas na área de educação. Entre elas, deve estar o aumento do salário dos professores, com cobrança de desempenho, lógico, e um programa de conscientização da população acerca dos benefícios individuais de se manter estudando durante o maior tempo possível.
Escrito por Manoel Rodrigues às 12h36
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