Sparagmós
  

De O livro de aforismos de Jamie P. Dawson

 

É indispensável observar, compreender, questionar, elaborar fundamentos; entretanto, mesmo no trabalho intelectual, os fundamentos não são tudo – às vezes, nem chegam a ser o mais importante.



Escrito por mscudder às 11h38
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Davidiano

Davi está na fase dos porquês.

Se me perguntasse por que Portugal perdeu para a Alemanha, eu diria: os alemães deram o seu melhor, os portugueses não.

O melhor da Alemanha é o foco na vitória; a defesa, o lance de bola parada e o contra-ataque exercidos segundo padrões mais ou menos automatizados; o corpo-a-corpo desgastante para os adversários.

Mas os alemães são também, sempre ou quase sempre, bons ou muito bons tecnicamente. Não é uma técnica plástica, flexível, inventiva, como a de brasileiros e argentinos, por exemplo. Mas é técnica.

Podolski, Klose, Ballack, Lahm, Schweinsteiger não são criativos nem têm ginga, porém passam, chutam e cabeceiam com muita competência. Isso é técnica.

Há ainda muita técnica, não só tática, no modo como os alemães marcam. Desarmar e bloquear o caminho a um adversário no mano-a-mano é técnica.

O treinador entra com a combinação dos posicionamentos, mas a forma individual de se posicionar diante do jogador que tem a bola, de modo a impedir sua progressão, depende de técnica. Se o treinador entender de técnica de marcação, poderá ajudar o jogador nesse quesito; se, contudo, só entender de tática defensiva, não terá o que dizer.

O melhor de Portugal (certamente, não o seu único ponto forte) se chama Cristiano Ronaldo. Eis aí um jogador tecnicamente extraordinário, no trato com a bola, que infelizmente não usou até o limite (ou além desse limite) a sua técnica.

Como termo de comparação, cito a performance de Ronaldinho Gaúcho num jogo contra o Milan, em Barcelona, pela Liga dos Campeões da Europa, em 2006. O Milan jogou trancado, deu o seu melhor na marcação e, diga-se de passagem, bateu muito. RG não se intimidou, jogou no seu limite, superou seus limites, até fazer um gol no final do jogo e dar a vitória ao Barça.

Poucas vezes, no jogo contra a Alemanha, CR "partiu pra cima". Deveria, até certo ponto, ter transformado a partida num duelo particular com seus marcadores – obviamente, com o aval do técnico (talvez Felipão tenha dado esse aval) e a participação de todo o time, que deveria estar alerta para as sobras de bola, nas vezes em que os dribles e chutes de CR não obtivessem êxito.

É claro que bastaria a defesa e o goleiro Ricardo não terem falhado bisonhamente no primeiro e no terceiro gol da Alemanha – mesmo com a falta cometida por Ballack, no último gol alemão, sua cabeçada era defensável. Talvez fosse suficiente Portugal ter um centro-avante melhor; ou Deco não ter conduzido tanto a bola; ou Nani ter rendido mais; ou Simão não ter estado tão mal.

Me concentro no caso de CR apenas para frisar o seguinte: sua atitude em campo, especialmente quando atua pela Seleção de Portugal e mais especialmente em seus jogos decisivos, não está à altura de seu talento excepcional. Mas ele é jovem e pode evoluir. Tomara que isso ocorra.



Escrito por mscudder às 11h35
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