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Hoy
Em 1978, Coutinho ignorou Sócrates, barrou Falcão no Brasil e Zico, já durante a Copa da Argentina. Batista foi convertido num brucutu.
Em 1990, Lazaroni barrou Neto, o maior jogador brasileiro em atuação no país, numa época em que havia ainda relativamente poucos brasileiros atuando fora.
Em 1994, Parreira levou Romário de última hora e transformou Raí num burocrata.
Coutinho usou como argumento a modernização do futebol, especialmente, o crescimento de importância da tática e da preparação física. Lazaroni e Parreira acrescentaram a necessidade de pôr fim ao jejum de títulos mundiais.
Coutinho se redimiu com o carrossel rubro-negro, o Fla que viria a ser campeão mundial sob o comando de Carpegiani. Um time dinâmico, envolvente, um dos mais belos da história.
Parreira inventou a modernidade estática, o avesso da modernidade propriamente dita. Coutinho já havia tentado o mesmo em 1978, obrigando Batista a jogar deitado, aplicando carrinhos e tocando para o lado. Nada, porém, comparável ao cera-ceradeira Zinho, que retinha a bola rodopiando e olhando para o chão – tudo para não entregar a bola ao adversário, tudo para evitar que a partida fugisse do controle, tudo por nada.
Dunga segue os passos dos mestres, em especial, do mais fraco dos três: Sebastião Lazaroni. Gratidão a quem o levou à Copa pela primeira vez e iniciou uma história sem fim, a chamada Era Dunga.
Qual a razão dessa "modernização" do nosso futebol? Títulos, ora.
Seu modelo é uma mistura da filosofia alemã (não a de Kant e Heidegger, óbvio) com a italiana: muita disciplina, retranca, marcação, jogada ensaiada, pragmatismo, coletivismo.
Itália e Alemanha juntas têm 7 títulos, chegaram, somadas, a treze finais e ficaram 18 vezes entre os 4 primeiros. Somente em 4, das 18 Copas, uma ou outra não chegou pelo menos em 4.º.
Mas e Brasil e Argentina?
Ora, ora, nós e nuestros hermanos não fizemos tão feio. Temos também 7 títulos, chegamos, somados, a 11 finais, ficamos 13 vezes entre os 4 primeiros. Somente em 5 Copas, nem Brasil nem Argentina constavam pelo menos em 4.º lugar.
Tudo bem, em 1978, a Argentina ganhou na mão grande; e em 1994, nosso time não se parecia conosco. Porém, em compensação, em duas Copas, as de 1978 e 1990, poderíamos ter vencido, não fosse a desfiguração medonha do nosso futebol.
Em resumo: somos muito competitivos, mesmo quando somos autênticos.
Aonde eu quero chegar? Nisto: a Seleçãozinha de Dunga é só de Dunga.
Hoje vou torcer pela Argentina.
Escrito por mscudder às 09h24
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Eles
Me bateu um sentimento (não batam em mim!): quero que a Argentina derrote o Brasil, quarta-feira, no Mineirão.
Quero mais: tomara que o Brasil não se classifique para a próxima Copa.
Pra quê?
Para acelerar o fim de uma ilusão: a de que a Seleção Brasileira de futebol ainda é parte importante de nossa cultura.
A Seleção é (e não de hoje) assunto privado da CBF. Ricardo Teixeira é o dono, Dunga, o gerente. E o resto que se dane.
Sou a favor de gestões profissionais. Porém, no caso da Seleção, em virtude do vínculo cultural que a unia ao povo, os dirigentes, a comissão técnica e os jogadores, tinham, antes, o hábito e a obrigação de dialogar com a população, via mídia.
Contudo, em 1978, adotamos um estilo grosseiramente importado da Europa; isso se repetiu em 1990 e 1994. E ocorre novamente agora. Com essa importação, que é afrontosa à nossa escola, morreu o diálogo. Como o povo não gosta desse estilozinho insosso, a única solução encontrada pela CBF é mandar o povo chupar prego.
Esse recado está nas entrelinhas da hostilidade com que Dunga trata os jornalistas. É verdade que há maus jornalistas, que muitas vezes fazem perguntas e observações grosseiras ou simplistas. Mas, se houvesse a disposição de dialogar, em vez da rispidez generalizada, haveria as críticas dirigidas.
Dunga é um homem com uma placa na testa: "Não se metam no meu trabalho, seus intrometidos". Nessa história de Seleção, o povo e a cultura brasileira estão sobrando.
Sou a favor do contato e do aprendizado intercultural. Sou a favor do enriquecimento do nosso futebol por meio da assimilação seletiva de características de outras escolas. Quem não invejou o carrossel holandês, a disciplina alemã, o pragmatismo italiano, o passe e a agressivadade argentina?
Quem hoje pode ser contra a preparação física, as cautelas defensivas, a velocidade, as jogadas ensaiadas, a disciplina tática?
No entanto, será mesmo preciso abandonar o talento individual para incorporar essas outras virtudes? O futebol brasileiro fenece quando adota a ideologia do "professor mandou".
Cadê a irreverência e a iniciativa individual? Cadê o Brasil? É isso a globalização do futebol? Que lógica burra é essa que nos transforma em saco de pancada de Venezuela e Paraguai?
Tá na hora de esse timinho ser reduzido ao seu tamanho: o de um grupinho de jogadores sem personalidade dirigido por burocratas incompetentes.
Escrito por mscudder às 14h17
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É o quê, hein?
Não gosto de Dunga, como treinador da Seleção; tampouco de Ricardo Teixeira, como presidente da CBF. Sei que o fracasso de ontem, diante do Paraguai, pode e deve ser, em boa medida, ser atribuído a eles. Mas que dizer dos jogadores?
Tino Marcos disse, no Globo esporte, que o Brasil não mostrou o seu futebol envolvente. Seria melhor chamar de futebol envolvido, guardado, escondido, subdesenvolvido. Se nada do que o treinador planejou deu certo, por que não inventar? Por que insistir, até o fim da partida, num joguinho monótono, irritante, insípido, inócuo?
Era Brasil e França de novo? Temos um bloqueio contra seleções tricolores, em azul, vermelho e branco? Ou o de ontem foi o mesmo futebolzinho suficiente para derrotar o Canadá e não a Venezuela? E o mesmo que o time apresentou nos outros jogos da Copa?
Não vai nada na conta dos jogadores – tecnicamente medíocres, taticamente inoperantes? O Paraguai é um bom time, é o líder das Eliminatórias da América do Sul; porém, não é possível jogar nem um pouquinho melhor contra eles? Se Dunga não é um grande técnico (até um dia desses, nem técnico era), os jogadores não podem compensar um tantinho dessa baixa estatura técnica e tática do treinador? Ou fala mais alto, nessas horas críticas, o silêncio subserviente, o robotismo, a falta de personalidade dos nossos jogadores?
Ou o problema dos nossos jogadores é menos falta de atitude e mais falta de futebol?
Escrito por mscudder às 13h55
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De O livro de aforismos de Jamie P. Dawson
Inventar uma história é reinventar o mundo.
Escrito por mscudder às 13h36
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