Sparagmós
  

Todavía no

 

Ontem, após a partida com o Boca, Washington teria dito: "pintou o campeão".

Pintou o salto alto, então?

Antes de ler essa pérola, prévia de outros maracanaços, eu já havia falado que a vantagem psicológica da final seria da LDU. Por quê?

Porque o Flu eliminou São Paulo e Boca, talvez os dois times mais fortes da competição. Numa situação dessas, é natural um certo alívio. E, no caso de times brasileiros, talvez mais ainda dos cariocas, um certo já-ganhou é quase inevitável.

E parte da mídia esportiva do Rio adora esse oba-oba. Antes do jogo, o ótimo Cicero Melo, da ESPN Brasil, deixou escorregar que, depois do Boca, o caminho do Flu era Tóquio. Sem dúvida, mas não o caminho direto. No meio tem a LDU...

A LDU, por sua vez, passa a ser o time da superação. O Flu já bateu seus grandes adversários; a LDU agora irá enfrentar o seu.

Essa é a hora de Renato e todo o time mostrarem que realizam um trabalho consistente, capaz de derrotar a euforia e a falsa sensação de missão cumprida.



Escrito por mscudder às 12h01
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Uma prisão chamada Venezuela?

 

Há mais de um ano, critiquei duramente a posição de Chávez de não renovar a concessão de uma grande emissora de TV venezuelana.

Não se tratava de defender a emissora, mas sim de me opor ao casuísmo da medida. Chávez alegava golpismo da empresa midiática; no entanto, esse era apenas um argumento de ocasião, pois o próprio presidente é um histórico aplicador de golpes políticos.

Tentou, na década de 1990, tomar o poder à força; uma vez eleito, tratou de submeter Judiciário e Legislativo e postergar (ao infinito?) o seu mandato.

Agora, cria novas regras de vigilância política contra a população, segundo as quais quem não dedurar os opositores do presidente serão também considerados criminosos.

Chávez subornou uma parte do povo à base de medidas distributivas que desorganizam a economia e comprometem o desenvolvimento da Venezuela, bem como de uma retórica guerreira (espero que seja só retórica).

Muita gente aplaudiu o fechamento da emissora. Mas o cala-a-boca de Chávez não tem limites e cedo ou tarde se voltará contra seus antigos entusiastas.



Escrito por mscudder às 11h41
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Essas compensações não compensam

 

As cotas servem para reparar?

No caso dos negros, a escravidão? Dos índios, o extermínio étnico? Das mulheres, o machismo?

Por que, então, não reparar a miséria?

A pobreza extrema, geração após geração, é menos grave que a escravidão?

A pobreza extrema, no Brasil, não atinge somente negros, índios e mulheres. E a pobreza extrema é mais uma das iniqüidades (talvez a pior) da nossa sociedade.

Ontem, o IBGE publicou pesquisa que reafirma os dados segundo os quais os homens adultos são os que mais sofrem com as lesões e óbitos causados por acidentes de trânsito e violência armada.

Isso não é uma iniqüidade? Não merece reparação?

Todas as vezes que um grupo se vê numa situação de perigo, provocada ou não por outras pessoas, quem corre os maiores riscos, na maior parte das vezes, os homens ou as mulheres? Os homens entre 15 e 45 anos, ou os idosos e as crianças?

Esses homens, que se arriscam em prol da segurança do grupo, não merecem que o grupo lhes dê compensação?

E a Polícia Militar, que atua na linha de frente do combate ao crime, inclusive os de maior periculosidade, não é composta por ampla maioria de homens? Eles arriscam suas vidas e sofrem lesões graves e mutilações. Não merecem reparação?

E os lavradores brancos da região Sul, que trabalham de sol a sol e cuja pele é particularmente vulnerável ao câncer, também não sofrem iniqüidade e também não precisam de reparação?

E os homens pobres, de baixa qualificação, que se afundam no álcool, porque não conseguem realizar o ideal defendido por seu pai e sua mãe e por grande parte da sociedade, de acordo com o qual eles, homens pobres, deveriam ganhar o suficiente para prover o sustento de suas famílias? Não merecem igualmente uma compensação?

E os nordestinos da seca? E os caboclos da Amazônia?

Que tal parar com essa competição para saber quem é mais vítima e fazer um país de cidadãos?

Não sou contra a focalização, ou seja, a atenção a grupos e segmentos que sofrem iniqüidades específicas. Mas 1) a prioridade é melhorar a vida de todos, como cidadãos; 2) quase todos os brasileiros podem ser incluídos em grupos ou segmentos que sofrem graves iniqüidades específicas.

As cotas, que privilegiam a compensação para certos grupos ou segmentos, é um novo privilégio, uma outra forma de furar a fila, de incluir seletivamente, em vez de se optar pela inclusão de todos.

Em outros termos, é o velho corporativismo, ou seja, a ação de uma "corporação" à cata de benefícios específicos, despreocupada do restante da sociedade. Quando citei as crianças pobres de minha rua, denunciei que o movimento por cotas raciais não tem nenhum escrúpulo de jogá-las para o fim da fila e dar uma mãozinha para uma parte dos negros, de maneira parecida como faz o velho clientelismo e o nepotismo, que diz: para os amigos, tudo, para os outros... Ora, os outros que se danem, tô mesmo é preocupado com a minha corporação, minha clientela, minhas vítimas, mais vítimas que as outras etc.

Chega dessa ilusão de que o Brasil é dividido em dois segmentos: os brancos adultos heterossexuais exploradores e opressores versus os negros, índios e mulheres explorados e oprimidos.

Autoridade pública existe para ver o todo, em vez de se deixar capturar por grupos ou segmentos.

O Brasil não pode ser mais equânime, mais justo? E as mudanças, que o IBGE aponta, que fizeram a desigualdade diminuir significativamente nos últimos 15 anos? Não podemos acelerar esse processo?

Claro que sim.

Partir para cotas e outros privilégios é meramente confessar o fracasso em construir uma vida melhor para todos.

E eu acredito nesse sucesso.



Escrito por mscudder às 18h19
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Socorro, Phill Palmer (2)

 

Sexta passada, entre chopes e espetinhos, ao lado de Rosinha e Davi, vi um caminhão de lixo estacionar próximo ao restaurante.

Fiquei apreensivo com a perspectiva do mau cheiro. Davi exultou – como boa criança de dois anos, é um aficionado de trens, aviões e caminhões de lixo.

Os lixeiros eram todos homens.

Onde estavam as mulheres?

Segundo minha mulher, em casa, cuidando dos filhos.

Porém, muitas delas não teriam problema de terceirizar o cuidado dos filhos por um emprego de maior prestígio.

Há alguns dias, tomei conhecimento de uma sugestão de PEC, ainda não assumida por nenhum parlamentar, que destina 30% das vagas do parlamento a mulheres.

Fiquei pensando: se alguns consideram justo aumentar a participação das mulheres, via cotas, nos empregos e cargos tidos como nobres, por que não aumentar a sua participação nos empregos e cargos tidos como rudes?

Tem-se como óbvio que as cotas femininas no parlamento beneficiam as mulheres. E por que não se tem como óbvio que as cotas femininas no serviço de limpeza beneficiam os homens?

Por que só pensar no bem das mulheres?

Talvez muitos homens prefiram ficar às sextas à noite em casa, cuidando dos filhos, enquanto suas mulheres se agarram a uma haste de caminhão de lixo.



Escrito por mscudder às 09h15
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De a a u

 

Hoje sou Flu, contra o Boca.

Por quê?

Ora, ao lado do argentino, o nosso futebol é o melhor do continente. No entanto, temos pouquíssimos títulos.

O Uruguai tem 8 conquistas continentais e o Paraguai tem 3, ambos à base de muita roubalheira e violência. Torço para que, dos próximos dez torneios, uns 6 ou 7 sejam brasileiros.

Torço também pelo Renato Gaúcho. Tá na hora de seu bom trabalho como treinador ser mais respeitado.

Se o Flu não passar, aí sou Boca. E outro show de Riquelme numa final de Libertadores não seria nada mal.



Escrito por mscudder às 08h41
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Inversão

 

A tremenda desigualdade econômica e social do Brasil é um de nossos maiores fracassos. Por isso, os programas sociais do governo federal merecem todos os elogios, ainda que possam ser aperfeiçoados e ampliados.

A popularidade de Lula é justíssima; não é justo, entretanto, que o governo e sua base no Congresso se valham dessa popularidade para praticar desmandos.

O último é o abortamento da CPI dos cartões corporativos, sobretudo da investigação sobre a montagem e divulgação do dossiê FHC-Ruth Cardoso. Setores da oposição também botaram panos quentes: o que querem esconder? O que negociam por baixo dos panos?

Talvez a pizza do dossiê faça bem à "classe política", por ocultar seus lances de dados mais vergonhosos, mas é bem indigesta à República.

E, nessas horas, tem sempre muita gente dizendo que as questões de moralidade pública são irrelevantes diante dos benefícios gerados pelas políticas de distribuição de renda. Seria uma nova versão do "rouba (ou mente ou manipula) mas faz (ou dá)"?



Escrito por mscudder às 10h32
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Longuíssima do Sparagmós

 

Na disputa pela aprovação da CSS, fica evidente a deterioração das relações entre Executivo e Legislativo.

O padrão adotado por Lula no primeiro mandato, à base do suborno de parte do baixo clero, ruiu com o escândalo do mensalão. No segundo mandato, sua maioria parlamentar é mais apertada, sobretudo no Senado.

A derrubada da CPMF no Senado, em dezembro último, constituiu-se numa vitória-símbolo da oposição. O que ela simboliza? O recado ao governo, especialmente do DEM e do PSDB, de que o jogo ficou mais duro. E, se Lula é o presidente dos pobres, eles são o partido da classe média e do combate à ineficiência. E, como Lula não pode prescindir do apoio da classe média...

Por isso o DEM e o PSDB não podem recuar na questão da CSS: estariam abdicando de uma de suas únicas fontes de popularidade.

No Senado, a oposição jogou pra galera, quando aumentou as verbas pra saúde sem indicar as fontes e deixou o governo entre a cruz e a espada – agora ele tem que optar entre o ônus de rejeitar a regulamentação da Emenda 29 ou instituir novo tributo.

Na Câmara, o governo tenta passar o rolo compressor. E, fora do Congresso, a população, mal compreendendo, assiste ao acirramento da disputa e, aqui e ali, toma partido sem a devida ponderação.

Na minha opinião, tem razão quem diz que esse debate deveria ser travado, não como matéria isolada mas sim como parte da reforma tributária, com mais clareza e menos incitamento à rebeldia sem causa.

Um tributo sobre movimentação financeira tem inegáveis vantagens, como atingir a todos os segmentos (inclusive o crime organizado) e favorecer a fiscalização do uso do dinheiro público. No caso da CSS, tem a vantagem adicional de se constituir num financiamento permanente e específico para a saúde.

Mas, sem dúvida, a aprovação de um tributo a mais e ponto final é inaceitável. O governo sinaliza com a mudança nas regras do Imposto de Renda e com a desoneração da cesta básica. No entanto, assim, de última hora, sem a necessária discussão, fica difícil para a população aceitar.

Não seria melhor adiar a votação da regulamentação da Emenda 29?

Nesse clima de ultra-acirramento, faz muita falta um grupo parlamentar capaz de recuperar um mínimo de diálogo entre governo e oposição. PDT, PMDB, PSB e PC do B poderiam desempenhar esse papel. Porém, esses partidos, no momento muito preocupados em atrair para si a popularidade de Lula, mantêm uma postura muito seguidista em relação ao governo e acabam copiando as posições do PT, quando poderiam desempenhar um ótimo papel no sentido de aperfeiçoá-las.



Escrito por mscudder às 10h16
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Magic

 

Uso uma expressão para definir a obra-de-arte, em geral: infinito demarcado.

A arte é infinita porque transborda, se espraia; surge do transbordamento e espraiamento do autor; suscita o transbordamento e espraiamento do receptor.

É demarcada porque seus limites são especialmente bem-definidos e acabados.

Assim, no seu transbordamento, ela se confunde; na sua delimitação, ela se singulariza.

Ontem, vi Paula, a ex-craque do basquete, na ESPN Brasil. Sempre sinto uma emoção especial, um transbordamento, quando a vejo.

Na quadra, ela era o infinito demarcado.



Escrito por mscudder às 17h13
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Curtíssimas do Sparagmós

 

1) Política não é questão de palavrinhas mágicas; se fosse, uma delas seria concertação.

2) O ministro Mangabeira Unger é a voz mais lúcida do governo; se tivesse o jogo de cintura necessário à atividade política, seria o candidato ideal a presidente nas próximas eleições.

3) Na discussão sobre a CSS, minha impressão é de que governo e oposição estão errados: o governo, porque não revê a sangria do dinheiro público para o pagamento do rombo da previdência e dos juros da dívida pública; a oposição, porque, se fosse governo, faria a mesma coisa, como alías já fez.

4) O único consolo a respeito da CSS é que, nas mãos do Temporão, ela será bem-aplicada.

5) Só um ranheta para desconfiar das chances do Mengo no Brasileiro: o time faz o melhor início de campanha dos últimos 22 anos. Como bom ranheta, tô desconfiado.

6) Dilma é uma ótima candidata a engenheira do governo, não a presidenta – engenheira-sargentão, terror do canteiro de obras.

7) Bresser-Pereira concedeu entrevista ao Valor econômico, semana passada. Mais uma vez alertou: à base de investimentos estrangeiros, nosso desenvolvimento será menor e mais breve.

8) Na minha rua, há várias crianças pobres. Somente uma delas é negra e somente ela poderá ser beneficiada por um regime de cotas. Uma amiga, certa vez, me perguntou por que eu acho as cotas uma aberração. Tá respondido?



Escrito por mscudder às 22h54
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BRASIL, Centro-Oeste, NUCLEO BANDEIRANTE, SETOR DE MANSOES PARK WAY, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Livros, Esportes

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